14/04/2013

*Cães farejam câncer de pulmão*

Já havia postado anteriormente sobre as primeiras notícias de que os cães eram capazes de detectar cânceres na pele, na bexiga, nos intestinos e na mama. À lista, acrescenta-se agora o câncer de pulmão.

Os cães identificaram quem tinha câncer pelos cheiros da respiração deixados pelos doentes em tubos cheios de lã

O câncer do pulmão, o mais mortal de todos os cânceres, é o responsável pela morte de mais de 340 mil pessoas por ano em todo o mundo. No entanto, se detectado precocemente, é possível a sua cura.

O problema é que a doença, numa fase inicial, é silenciosa. Recentemente, porém, cientistas alemães descobriram que os cães podem ser grandes aliados na luta para salvar vidas, por serem capazes de farejar em pessoas doentes os sinais da existência de câncer de pulmão, se para isso forem treinados.

A investigação levada a cabo no Hospital Schillerhoehe, Alemanha, incluiu 220 voluntários, sendo 110 saudáveis, 60 portadores de câncer do pulmão, 50 pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e quatro cães (dois pastores alemães, um pastor australiano e um labrador).

Todos os participantes respiraram em um tubo cheio de lã que absorveu os odores da respiração. Os cães cheiravam os tubos e sentavam-se na frente das pessoas supostamente doentes. Os animais conseguiram acertar em 71% dos casos e os resultados do estudo foram publicados na revista científica “European Respiratory Journal”.

O cheiro de tabaco ou de medicamentos consumidos pelos doentes não afetaram o olfato dos cães. O que os cientistas ainda não apuraram é qual a substância exata que os cães detectam no hálito dos doentes cancerígenos.

“Na respiração dos doentes com câncer de pulmão deverá existir químicos voláteis (moléculas libertadas pelos tumores) diferentes dos encontrados na respiração de uma pessoa saudável, e o olfato apurado permite aos cães detectar essa diferença numa fase muito precoce da doença”, afirmou o cientista e autor do estudo, Thorsten Walles.

De acordo com Walles, “os nossos resultados confirmam a presença de um marcador estável para o câncer de pulmão. Este é um grande passo”.

No entanto, como não é nada prático que os cães permaneçam nas clínicas e hospitais para o rastreio da doença, os investigadores estão desenvolvendo “narizes eletrônicos” que consigam detectar a mesma substância química que o olfato canino. Mas ainda não sabem se vão conseguir.