10 de agosto de 2012

A tristeza de um cavalo


Senhor, estou começando mais um dia. Mais uma etapa de serviço. Ainda é madrugada. Meu "dono" já vem me buscar para colocar-me atrelado na carroça. Eu olho a minha vestimenta, meu "dono" coloca-a, cheia de pregos e arames, em meu copo. Me machuca, mas eu não reclamo.

Saio para trabalhar, mas o trajeto é longo, e eu canso. Aí meu "dono" começa a me bater. Sinto dor, a cada batida dói mais um pouco. Não resisto, vou diminuindo mais e mais o meu passo. E vou apanhando mais e mais. A dor aumenta. E meu dia vai passando.

Quando anoitece fico feliz, pois está chegando a hora do descanso. Mas que nada; meu "dono" resolve para em um bar. Encontra alguns amigos e fica bebendo até de madrugada. E eu cansado, tenho sede, tenho fome, continuo para esperando. As vezes mal aguento parar em pé.

E quando ele sai, penso que vou para casa. Mas que nada, meu "dono" resolve apostar uma corrida para mostrar como eu sou bom. Mas ele não sabe que eu não aguento mais. Ele não quer ser desmentido, me faz correr e me bate. Corro para não apanhar mais.

Meu corpo já está todo dolorido e cada vez que ele chacoalha as argolas sinto medo pois sei que ele vai me bater no mesmo lugar, que já está em carne viva. Muitas vezes caio de cansaço e ele me levanta a pancadas.

Quando chego em casa ele me solta em um campo com um mato seco e com um balde de água suja, mas não sinto vontade de comer ou beber. Estou dolorido demais. Tento dormir, mas também não consigo.

A dor é grande, fico implorando à Deus para que as horas não passem. Mas não adianta, o dia amanhece e começa tudo novamente. Não reclamo. Não que eu não queira.

Mas eu não sei falar, sou APENAS um Cavalo.

( Autor Desconhecido )

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